terça-feira, 8 de novembro de 2016

Aristóteles Ética

1.

Multiplicidade dos bens. Bens subordinados ao bem ótimo.

A Felicidade. A Felicidade e a Política.

Divisão tripartite da alma: vegetativa, animal (impulsos), racional.

O problema da acrasia.

2.

Duas virtudes: moral e intelectual.

Intelectual se engrandece pelo ensino. A moral pelo hábito.

O valor do hábito. O hábito é amoldado pela natureza.

O discurso sobre práxis é inexato.

Demonstrações imperfeitas. Phainomena.

3.

O discurso ético é impreciso: como medicina ou arte de navegar

Coragem

Temperança

A disciplina dos prazeres e dores é fundamental.

pág 47 - a filosofia como medicina. Remédio prático.

O que é virtude?

Emoções, capacidades, disposições.

A virtude é uma disposição. E escolha deliberativa.

A virtude aperfeiçoa nossa função.


terça-feira, 20 de setembro de 2016

Aristóteles

Introdução.

Breve contexto biográfico.

O corpos aristotélico.

As Categorias:

1. Homônimo, Sinônimo e Parônimo

Antepredicamentos: unívoco, equívoco, análogo e denominativo.

2. 4 opções:

a) Diz-se do sujeito, mas não está no sujeito

b) Não se diz do sujeito, mas não está no sujeito

c) Diz do sujeito e está no sujeito

d) Não se diz do sujeito, mas está no sujeito.

3. Dos predicados

Gênero comum e subordinado. As diferenças específicas de animal, mamífero e homem.


4. Tábua das categorias:

Substância/
quantidade/
qualidade/
relação/
lugar/
tempo/
posição/
posse/
ação/
paixão

5. Da substância primeira e segunda. Crítica a Platão.

A substância mais própria nem se diz de um sujeito nem está em um sujeito.

A espécie segunda é aquela da qual a primeira faz parte enquanto exemplar da espécie.

Das coisas que são ditas de um sujeito, nome e definição são predicados deste sujeito

Das que estão num sujeito, normalmente nem nome nem definição são predicados, mas as vezes o nome

(ex: a cor branca, cujo nome é predicado do sujeito branco, mas n a definição)

A espécie é mais substancia que o genero

A definição da diferença específica é predicada daquilo que é predicada a diferença específica.

A diferença específica (pedestre) é predicada de homem, e sua definição tb o é



6. Características das substâncias:


segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Aula 3º Ano Rousseau

Livro I:

1. A idéia geral dos contratualistas. Peculiaridades de Rousseau em relação a Hobbes

a) Ausência de método compositivo

b) Crítica

c) Dados biográficos gerais.

2. A sociedade não é um direito natural. Oposição a Hobbes. O direito pelo fato.

a) Convenções. A questão da ordem política e da liberdade. Etienne de la Boetie

3. A família como sociedade natural

a) Grotius: sujeição dos povos aos governantes. Jurisdicização dos conflitos internacionais. Crítica ao método de análise histórica.

b) escravidão natural e hereditária.

Crítica à teoria da escravidão natural. Aristóteles. (E.Berti)


4. O primeiro pacto legitima a ordem social.

Pluralidade do sufrágio e unidade do corpo político.

Obstáculos ao estado natural. Princípios naturais:

a) bem estar e conservação de si +

b) empatia pelo sofrimento alheio (crítica implícita a Hobbes)

c) perfectibilidade


Problema: como achar uma forma de associação que a todos proteja e aos seus bens senão obedecendo a si mesmos?

Primeira clásula: entrega total e igual à comunidade. Associação: una vontade: Estado, soberano, autoridade, povo.

O soberano pode infringir sua própria lei. A fonte da Lei é o soberano.

O indivíduo destacado de todo grupamento possui em si a vontade geral.



Livro II

A soberania inalienável. Só o poder se transmite, mas não a vontade.

A vontade geral tende a igualdade. A particular à desigualdade. Omissão como consentimento.

A soberania é indivisível. Vontade particular é apenas decreto.

A vontade geral pode errar. Limite da vontade geral: só pode se pronunciar sobre o universal. Não sofre fatos particulares.

Distinção entre os particulares na esfera de direitos dos cidadãos/vassalos e direitos dos homens.

a) somente deve alienar uma parte de sua liberdade e vida; a que interessar à sociedade; o soberano é o juiz

b) o direito de alienação da vida.

Todo homem tem o direito de aliená-la a outrem.


terça-feira, 30 de agosto de 2016

Aula 2º II Unidade 5822 A República

3. Polis

domínio público das manifestações culturais

escrita

leis - não ditas. A Dike escrita pelos legisladores ((Licurgo e Sólon)

Publicização ritual no templo

Seitas secretas de mistério: o theios áner

O hoplita. Mudanças militares.

4. Regime de Espart

Diarquia, gerúsia, eforato

Agoge espartana.

______________________________

A República:

1. Hermentêutica da República. Nomes dos diálogos, O Político, A República

Concepção de justiça de Céfalo:

Dizer a verdade e devolver o que se tomou

Exemplo do louco armado

Devolver o bem ao amigo

Concepção de Trasímaco: justiça é a conveniência do mais forte

Concepção social de justiça: discussão

Problemas


2. Análise do diálogo:

Homologia entre o homem e a República. A justiça da cidade.


3. Construção da cidade

a) alimentos

b) moradia

c) vestes

3a. Divisão social do trabalho

d) as artes técnicas

e) comerciantes - indivíduos fracos

f) assalariados - indignos

Mas também supérfluos:

g) poetas, rapsodos

h) médicos

i) mais terra

3.1.

Necessidade do Exército

a) a arte específica

b) aptidão natural: problematização e discussão

Existe uma aptidão natural?

Como a sociedade pode selecioná-la?

Você está cumprindo sua aptidão natural?

c) incisivo, veloz e forte; alma orgulhosa

Teoria das três gunas - Rajas - a função aristocrática

d) disposição filosófica. O amor do cão pelo dono.

3.2

Educação:

a) música

b) ginástica

c) histórias

Educação contemporânea. Críticas?

Problematização: O que buscar na educação?

Papel da poesia? História? As artes

d) Princípio da censura. Liberdade moderna vs. Platonismo

e) Ataque a Homero e Hesíodo




terça-feira, 16 de agosto de 2016

Ó Natureza, mãe de todo o orbe
que oprime o fraco e o forte regozija
Ó Natureza pura e sempre viva
Abre o teu mistério, ó minha consorte!

Confia a mim o teu segredo rouco
de cuja grave voz Orfeu cantara.
Nascida pendular por entre abrolhos
a oferenda escura e ressumada

A planta retorcida, espinhosa
Desnuda-se, desabrocha, ofertada.
Dá-me nas mãos, ó Natureza, a óstia
do teu corpo hierático, fanada.

Ó Natureza, mãe de todo o orbe
inspira o amor pelo que vence a morte!



terça-feira, 9 de agosto de 2016

1ª Aula 2º II 2º Ano 2016

O Banquete (comentário)

1. Amor de algo

2. Amor pressupõe a falta da qualidade de que se ama

3. Se Amor é amor do Belo, Eros não é Belo

4. A opinião verdadeira que não se justifica - intermediário entre ignorância e conhecimento.

5. A intermediação do Belo

6. Eros é intermediário entre deuses e mortais: daimon

7.Eros não é belo: é filho de Pobreza e Expediente; esqualido, fragil, nas periferias da cidade;

8. A sabedoria é o mais belo, e Eros ama o Belo

9. Amor é universal: exercicios, apetencia de honrarias, etc etc

10. geração no belo, pela consonancia com o divino

desejo de glória, imortalidade: poetas, artistas - a questão do gênio

perceber a irmandade da beleza de todos os corpos, amará a todos os corpos belos

beleza da alma ____ do que vem da alma: costumes, etc -------- beleza das ciências e artes

perceberá de súbito a beleza sempiterna: n é feia, nem bela de um angulo, nem morre

ouro, belas vestes, belos jovens





domingo, 7 de agosto de 2016

1ª Aula II Unidade 3º Ano 2016

Comentário ao Príncipe

1. Contexto histórico. Mundo Renascentista

Advento do pensamento político moderno.

Pensamento político medieval e clássico.

Tipologia das formas de governo. Specula princeps.

Contemplação/Ação

Governo real. Autoridade da Igreja. Papa Gelásio. Doutrina da Autoridade Espiritual/ Poder Temporal





sexta-feira, 5 de agosto de 2016

SONETO I DA JOVEM REALISTA

Quando te penso a imagem como em sonho
me és tão doce o amor e tão sincero
que murmurando a mim mesma confesso
o que, em vigília, na ironia escondo.

Na hora à face enternecidamente
Desce-me o pranto de quem muito ama
Quando rebrilha e arde a minha chama
a desejar tocar-te, inconsequente.

Porém se minhas pálpebras descerro
Ao teu olhar inquisitivo ou frio
Do sonho acordo, irônica decerto,

Com mil palavras a cobrir-me nua.
Pois não te quero contar inda mais isto:
Que tua rosa sou, somente tua.







domingo, 24 de julho de 2016

7ª Aula 3º Ano 2016

1.

Critério para investigação na filosofia: de que impressão deriva essa idéia? (Resumo, pg. 53)

Antecedência das impressões simples ante as idéias simples. (pg.29, Tratado). 2 argumentos:

Ensino das qualidades para as crianças. Impossibilidade de ter a sensação pela idéia.

Deficiência de percepção sensível implicam ausência das idéias simples correspondentes.

Impressões simples e de reflexão. (recursividade das idéias)

Idéias de imaginação e de memória.

Conexão das idéias simples (pg.34):

semelhança; contiguidade; causa-e-efeito

Idéias complexas:

Relação: semelhança, identidade, contrariedade, espaço/tempo, quantidade, qualidade

Modos

Substância

Substância não é uma idéia derivada de uma impressão. É uma coleção de ideias simples referidas a um nome comum.


2.

Causa-efeito (pg34)

Exemplo da bola de bilhar: contiguidade, prioridade e conjunção constante é o que se nota no fenômeno. Idéias e impressões do fenômeno.

A causa não possui o ser do efeito. Não se pode inferir do efeito a causa.

Conhecimento analítico e empírico. Argumento de experiência (probabilidade) vs. argumento de demonstração (certeza >>>> a priori) (ISEH, SEC IV pg. 55)

Por quê não podemos provar que o futuro se assemelhará ao passado? Circularidade.

Das idéias abstratas

Crença como mero sentir intenso.


3.

Grupos de 5: escrita de texto comparativo Descartes/Hume, constantes os pontos:

1.

a) o status da crença
b) causalidade como idéia
c) o Eu e as impressões simples
d) conteúdo representacional/ idéias complexas
e) substância/ relação em Descartes e Hume

2.

a) o status da crença
b) demonstração da existência de Deus
c) tratamento de Deus em Hume/ Descartes
d) Natureza simples/idéias simples

3.

a) o argumento do cogito
b) o argumento contra a causalidade como relação filosófica (Hume)
c) Relações, modo, substância (Descartes/Hume)
d) Inatismo/ empirismo + solução cética
e) causalidade (ex.: da bola de bilhar)

Dar um tratamento dos temas em texto corrido, dissertativo, com introdução e desenvolvimento. (~5 pgs). [de amanhã a quinze]; Reproduzir argumentações, mostrar os elos logicos, etc


segunda-feira, 18 de julho de 2016

Aula 6ª 3º Ano

Comentário a Um Resumo do Tratado da Natureza Humana

1.

Distinções

Idéias e impressões.; fundamento da distinção (L1, P1, Sec 1, 1ª marc.)

Idéias simples e complexas (L1, P1, Sec 1, 2ª marc.): cores, sabores - qualidades em geral

Da conexão das Idéias

Semelhança

Contiguidade




domingo, 17 de julho de 2016

Aula 6 1º Ano 2016

1.

Conceito de Estética. Origem do termo.

 Origem da disciplina, Baumgarten.

Arte como objeto da filosofia. Julgamento do gosto.

Experiência do estético.

2.

Beleza objetiva vs. Beleza subjetiva

Gosto e subjetividade.

A atitude estética: recepção estética e "compreensão pelos sentidos"

3.

Dúvidas.

domingo, 10 de julho de 2016

A CHAVE

Roídas hastes
de negras flores, flores de tédio nos vaus do Nada; plantas mortiças de bocas hirtas, convulsionadas. Pálidos montes, brumosas fontes no atemporal. A mim devoram a carne podre, o mal.
Etéreas formas de anjos infantes, sombras arfantes, cálida amora, trigo, alcaçuz, lilales; luz luzindo auroras. Última hora badala o sino de mim separa o fragmento infindo.

sábado, 9 de julho de 2016

Começo

I

Horas estenderam horas
No parapeito do tédio.
Se limpas ou sujas? Que importa!
São mortalhas em um cemitério.

Algumas mortalhas azuis
Lembram roupas de criança.
Vestiram um menino profundo
De fantasmagórica infância.

Outras de verde pungido
Tísico, raquítico,
Cobriram o adolescente
Da puberdade sem grito.

São mais soturnas as novas,
De preto transido, fechado.
Ocultam o solene ataúde
Do jovem Apolo arcaico.

II

Livros não precisei ler
Para saber tudo o que sou.
Nada havia por dizer.
Toda palavra ecoou.

Sem ao Logos ascultar
Vou recompondo o mistério.
Na borda extrema de tudo
Teço a geometria dos ermos.

Nisso talvez precise
Novas peças no meu deserto.
Para fechar o tamgram,
Encaixo o triângulo do seu sexo.

Mas, saiba: aqui não há jardineiro,
Só carcaças entrechocadas.
Na cega mecânica dos eixos
A alma é somente a graxa.

III

Nunca fui antena do mundo
Como queria Ezra Pound.
O mundo que sintonize suas dores
E não as rime por mim.

Quero ser ilha, não arquipélago,
Restituir Donne ao silêncio.
Os sinos que bateram por ele
Nunca dobrarão por você.

Por isso, seja dura. E muda.
- autocontida chama.
Quem sonha o sonho universal
Nunca descansa na cama.

Que a minha luz me ilumine
Ou me afogue no breu.
E, se ainda me quer dar a mão
Bata à porta. "Ding, dong": sou eu.







terça-feira, 5 de julho de 2016

4º Aula 2º Ano 2016

Diálogos:

a) novos
b) intermediários
c) tardios

Influência sobre Platão:

a) pré-socráticos

universo regular/intervenção dos deuses

Heráclito/ Parmênides

Eutífron. Crático.

Relativismo sofístico. (história grega)

Aceitação da doxa

crítica de Isócrates "utilitarismo" retórico

Falta de ciência dos trágicos (Platão)

Resposta de Platão aos naturalistas:

O que é crença (Parmênides)

____________

Discussão e análise sobre o Ménon.

domingo, 3 de julho de 2016

4ª Aula 1º Ano 2016

1.

Retomada dos conteúdos anteriores


2.


Filosofia e Arte

Arte como objeto.

Perguntas típicas:

O que é uma obra de arte? [exs.]

Qual o critério a partir do qual algo é arte? (Exemplos históricos)

Onde se instancia o valor estético das obras de arte?

Qual a relação entre beleza e emoção?


3.


Filosofia como obra de arte:

Estilos. Ensaio, aforismo, parábola.

Filosofia e estilística. Qual a relação profunda entre as idéias e o modo de exprimi-las?

Filosofia e retórica.


segunda-feira, 27 de junho de 2016

4ª Aula 3º Ano 2016

4.

O cogito. (M.II)

O cogito.

Existência do eu + certeza dos conteúdos representacionais. É possível ter a crença de uma experiência sem possuí-la? (L. Bonjour). Atributos mentais. Atitudes proposicionais.

O Eu é condição de possibilidade da dúvida.

Inversão do senso comum: Mais fácil conhecer o Eu que o corpo (M.II,6,7 e - conclusão: 9)

Distinção entre mente e corpo. O corpo incapaz de mover-se por si. (M.II,6) (Respostas a objeções)

Critério de distinção: que seja a distinção pensada. A distinção das coisas é dada pela razão.



Grau de certeza do cogito versus grau de certeza da aritmética e geometria. Problema da unificação dos critêrios epistêmicos. (R.II, §2)

Idéias claras e distintas. Pouca clareza, muitos problemas.(?)

O que são idéias? (M.III,6). São como "imagem das coisas". Afecções e juízos são distintos de idéias. Ação do espírito.

Juízos são suscetíveis de valor de verdade. A existência do mundo como possibilidade do erro.


5.


Deus

O conteúdo dos pensamentos. O que se concebe clara e distintamente no pensamento? Que são pensamentos meus.

Tipos de pensamento (M.III,6). Idéias - imagens das coisas; vontades ou afecções e juízos. Só o juízo pode ser falso.

Por quê as idéias parecem vir do mundo externo?

Dois tipos de idéia: idéias de experiência, idéias obtidas pela Razão. (M.III, 13).

As idéias também são simples e compostas. "Naturezas simples". Exs: extensão, figura, movimento. Idéias mistas: unidade, existência. (R.12). Exemplo de redução da geometria à extensão.

O conhecimento das idéias simples é total.

A realidade das substâncias é maior que a dos acidentes. (M.III, 15) Explicar substância e acidente novamente (Categorias). >>> enquanto idéia. Prioridade epistêmica vs. prioridade metafísica. Piora quod nos/ priora simpliciter (Sto. Tomás)

Inatismo racionalista vs. Empirismo não-inatista. Idéias inatas percebidas confusa e obscuramente.

Transmissão da realidade do efeito pela causa (M.III,17)

A causa eficiente deve possuir maior realidade que o efeito. (M.III, 16)

Realidade formal e realidade objetiva. Realidade da causa e realidade do efeito objetivo. (Objeções de Descartes, 2ª marcação). Idéia como imagem do mundo. Retomar a metáfora.

Impossibilidade de regresso ao infinito nas causas das idéias. Doação de realidade formal para as idéias.

Idéia absoluta. Pre-existência ontológica (M,III, 23)

Problemas (?)

É preciso que o princípio conectivo (mente/mundo) seja auto-evidente. Argumentos. (L.Bonjour)




6.

O conhecimento do mundo externo.

Corpos


Exercício para nota:

Resolvam os seguintes problemas filosóficos:

1) O círculo cartesiano

2) O problema da unificação dos critérios epistêmicos

3)

3ª Aula 3º Ano 2016

1.

Exposição do método de estudo dos clássicos.

Textos + comentaristas gerais + comentaristas específicos -------->>>> Memorização  >>>> Reconstrução verbal ou escrita.

Fontes:

Discurso do Método. Auxiliares: Meditações Metafísicas, Objeções e Respostas, Cartes e Regras para Condução do Espírito.


2.

Discurso do Método

Primeira Parte:

Razão humana como essência, não acidente. Aristóteles, Categorias. Diálogo com as Escolas.

Frutos do Método: Geometria, Meteoros. Dióptrica.

Autobiografia intelectual.

Estudos em La Flèche. Erudição humanística versus Ensino científico. A questão do humanismo.

O Fundacionismo. Trilema de Agripa:
 Uma crença Q se justifica por J.

1. Regresso ao infinito
2. Círculo
3. Crença não sustentada.


3.

A dúvida metódica.

Imagem da pintura (M. I, 6). Diferenças entre a epistemologia de Descartes e Hume. Porque não fundar o conhecimento nas impressões? Diferença entre aquisição do conhecimento e justificação.

Semelhanças e diferenças com o ceticismo antigo. Diafonia e equipolência. Por quê Descartes não se refugia na vida comum? Por quê o cético não duvida da existência do mundo?

Pressuposições metafísicas na filosofia da mente. Dualismo mente/mundo. Monismo pré-filosófico. Influxo do cristianismo e descoberta da subjetividade moderna.

Avanço da dúvida: coisas simples - extensão, tempo, quantidade, forma (M.I,7)

Avanço da dúvida (2): operações aritméticas e geométricas. Possibilidade do erro maciço. (M.1,8). O gênio maligno (M.I,12)

Resumo das meditações até o cogito: (D.M., 4, §1). Exemplo do sonho.









domingo, 26 de junho de 2016

3ª Aula 1º Ano 2016

1.

Retomada dos assuntos anteriores. Brainstorm extensivo.

(~15 min.)


2.

Relação da Filosofia com Religião

Filosofia e Religião.

Filosofia e mitologia grega. Atitude filosófica perante a crença.

É possível uma filosofia religiosa? Investigação dos pressupostos. A radicalidade da racionalidade. O "datum" da fé.

As partes da religião:

a) Rito b) símbolo c) doutrina e d) moral.


3.

Relação da Filosofia com a Arte

Filosofia e Estética. Estética como área do conhecimento filosófico.

Filosofia e literatura. Estilos de escrita filosófica: a) ensaio b) tratado c) summa d) artigo acadêmico, e) artigo jornalístico. Fornecer exemplos abundantes.

A arte como captação intuitiva de conteúdos representacionais.

A função emancipatória da arte.


4.


Relação da Filosofia com a Ciência

Justificação filosófica e justificação científica (um aprofundamento)

Epistemologia normativa e descritiva

Filosofia e crítica à ciência.


5.


Conclusões.

Aula 3º 2º Ano 2016

1.


Retomada dos assuntos anteriores

Entrega do texto e comentários sobre o trabalho

_______________

Estrutura do trabalho:

Dois acusadores (Ânito e Meleto):

Escolha dos temas:

1) Acusação de ateísmo. Basear-se na rejeição aos mitos, no que foi estudado dos filósofos pré-socráticos no ano passado.

2) Acusação de subversão da juventude. Basear-se no estudo dos sofistas e na comparação entre Sócrates e sofistas.

Sócrates: Defesa das acusações

Público)

Uma ou mais pessoas: Parecer a favor de Sócrates. Defendê-lo argumentativamente

Uma ou mais pessoas: Parecer contra Sócrates. Defendê-lo argumentativamente.

Sócrates: Palavras finais ante a condenação

Mínimo do grupo: cinco pessoas

Tempo aproximado do trabalho: ~30 min.



2.

Estudo dirigido da Apologia de Sócrates:

Distinção entre o discurso da verdade (logos) e o discurso floreado (retórica)

Sócrates como sofista. Acusação de ateísmo. Anaxágoras. Citação de Aristófanes

Dois tipos de acusadores: recentes e tardios

Sócrates não se ocupa das ciências pré-socráticas. Retomar distinção entre Nomos e Cosmos na sofística.

Oráculo de Delfos. Promessa ao deus.

Interrogação: políticos e poetas

Seus acusadores,

Meleto: poetas

Ânito: artesãos, políticos

Lícon: oradores

O destemor da morte: Aquiles na morte de Pátroclo.

Fidelidade à missão do deus. Amor à Filosofia

A riqueza como virtude da alma. Tema platônico.

Participação no Conselho. Batalha das Arginusas.

Retirar de Salamina o Leon. Sócrates se recusou. Sem temor à mrte.

Não pede clemência.

Argumento sobre a morte. (Fédon)

(~50 min.)


3.


Reunião de grupos para discutir o texto e começar a elaboração.


terça-feira, 21 de junho de 2016

2ª Aula 2016 - 2º Ano

1.

Retomada dos conteúdos anteriores

2.

Sofística: quem eram? Exs: Górgias, Hípias, Protágoras, Antifonte

Sophiste: sábios eram Homero, Hesíodo, poetas, profetas, etc

Humanismo grego e humanismo sofístico: paidéia homérica; mutação social

Criação de uma nova kalokagathia - ampliação da comunidade de sangue

Educação cívica: aretê

3.

Métodos sofísticos:

a) Antilógica

b) Macrologia

c) Erística

Os sofistas possuem dogmata. Comparação com o ceticismo antigo.

Diversidade e unidade no movimento sofístico.

Unidade na atitude, diversidade na dogmata?

4.

Humanismo:

Pré-socráticos vs. sofistas? Presença de discussão humanista e moral entre pré-socráticos. Presença de discussões cosmicas nos sofistas

Cosmos vs. Nomos

Leis humanas (istoríen - Heródoto). Antifonte: leis particulares que constrangem a natureza; natureza humana como expressão de desejo

5.

Depreciação dos sofistas:

a) Desconfiança do intelectualismo

b) Da arma da retórica

c) Acesso a todos à arete (contra a aristocracia)

6.

Linguagem: tese sobre a impossibilidade da linguagem apreender o real (Górgias)

a) logos não é substância. Coisas são substâncias.

b) O discurso são é uma substância.

Incongruência entre discurso e substância. Verdade não-existente




domingo, 19 de junho de 2016

Aula nº2 3º Ano (2016)

1.

Retomada da aula anterior. O que foi discutido? O que foi estabelecido?

Explicação da filosofia e estudo do texto. Como estudar? Como ler? (À luz da explicação)

2.

Conjunto de questões cartesianas:


I) A CERTEZA

a) O que é ter certeza?

b) Qual a relação entre certeza e conhecimento?

c) Quais os critérios para dizer que algo é certo?

d) Objetividade/Subjetividade da certeza



II) CONHECIMENTO

a) O que é conhecer?

b) Como podemos conhecer?

c) De onde vêm nossas idéias?

d)Quais as fontes de conhecimento?


III) DEUS

a) Deus existe?

b) Argumente a favor ou contra.

c) O que podemos inferir de sua existência?




sábado, 18 de junho de 2016

Aula nº 2 2016 (1º Ano)

1.

Brainstorm. Retomada dos assuntos anteriores.

2.

Filosofia e o senso comum. Exs. de crenças comuns:

a) Existência de Deus

b) Injustiça política

c) Os sentidos são fonte de conhecimento

4) A terra não é plana

5) A gravidade atrai corpos para o centro da Terra

3.

Em que sentido a filosofia critica o senso comum?

4.

a) Informação  b) Conhecimento c) Sabedoria

Debate:

Deus existe? Justificações racionais.

Começar a mostrar qual a linguagem da filosofia.

(Atividade avaliativa futura: defesa argumentativa temática)

domingo, 12 de junho de 2016

1ª Aula - 2º e 3º Anos

1.

Chamada. Email da turma. Apresentação da ementa do curso. Para quê estudar Filosofia (Brainstorm)

- Pergunta/Resposta (Dialetizar)
-
-
-
-
-

Exemplos: a) Que horas são? (Discutir noção de evidência: como você sabe que é essa hora? Confiabilidade do testemunho. Confiabilidade do relógio. Confiabilidade dos sentidos. Confiabilidade da existência do mundo >>>>> progressão nos pressupostos; Filosofia como investigação de pressupostos.

(30 min.)

2.

O que é o Sábio. Questão da vida. Ex.: Homenagem póstuma a Zenon, o Estoico. Sócrates e o Eros. Exercícios filosóficos. Como conduzir bem a vida? Noção grega de boa vida. Platão. Agathon. Aristóteles. Eudaimonia.

Filosofia como Forma de Vida.  Órganon da Lógica. Pressupostos na Filosofia ética e política. Contemplatio.

(30 min.)

2.

Duas noções acadêmicas de Filosofia: a) interpretativa/estrutualista b) analítica. Crítica ao programa de filosofia atual.

A importância de estudar a tradição textual. Aristóteles e o livro alfa da Metafísica. Hegel e a História da filosofia. Níveis da atividade filosófica: a) estudante/intérprete; b) articulador de problemas; c) criador de sistemas; d) criador de horizontes sistemáticos

Nossa abordagem: estudo dos clássicos: texto + melhores traduções + melhores comentários + leitura cuidadosa + memorização. Provas em consonância.

(30 min.)

1ª Aula (2016) - 1º Ano

1.

Chamada. Email da turma. Apresentação da ementa do curso. O que é Filosofia? (Brainstorm)

- Pergunta/ Resposta - Dialetizar.
-
-
-

Para quê estudá-la?

- Pergunta/Resposta - Dialetizar
-
-
-
-

(20 min.)


Criar os ganchos para 2.

2.

Duas abordagens acadêmicas da filosofia: a) interpretativa/estruturalista; b) analítica. A Filosofia Antiga como Forma de Vida.

(20 min)



terça-feira, 3 de maio de 2016

Poema de ocasião

Não tivesse o coração 
a carne ensanguentada
a proteção 
da pele que nos guarda...
Não tivesse o coração
esse mistério, essa barreira
que a chave humana 
na mão trêmula
avança nas fronteiras... 
a dor pungente
sem qualquer mediação, diretamente,
a alma atingiria
sem peles, desnudada 
tão aberta e tão pura
quanto a inocência violada.


quinta-feira, 21 de abril de 2016

8813 (links prova Platão)

Alguns links de textos úteis à prova:

O Banquete,

http://www.esdc.com.br/CSF/artigo_2008_10_o_banquete.htm

http://www.infoescola.com/livros/o-banquete-platao/

http://site.ufvjm.edu.br/revistamultidisciplinar/files/2011/09/O-conhecimento-como-Eros-uma-leitura-de-O-Banquete-de-Plat%C3%A3o_angela_roberto.pdf

http://hottopos.com/videtur18/gilda.htm

A República,

http://www.infoescola.com/literatura/a-republica-platao/

http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/analises_completas/a/a_republica

http://www.filosofiaparatodos.com.br/resumos/platao-a-republica/

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Carne nua


Há em toda carne nua
A solidão fria
Do amarelado da lua
Na taça vazia.

Há em toda carne nua
Gozos machucados
Como a haste de uma flor
Cortada à machado.

Há em toda carne nua
Ânsias inaudíveis
E palpitações sentidas
Que não foram críveis.

Há em toda carne nua
O tédio profundo
De quem não foge, mas toca
A fuga do mundo.

Há em toda carne nua
Tímida mudez
Do solilóquio em procura
De um outro talvez.

Há em toda carne nua
Vãos, quase esquecidos
Amores que nunca havidos
foram reexistidos.


domingo, 21 de fevereiro de 2016

Algumas observações sobre vida intelectual

Interesse teórico:

O que você quer saber? O que você NÃO QUER saber? Por quê você quer saber?

Autoconsciência das motivações.


1) Hierarquia de interesses teóricos. O que é um mapa de interesses? Como fazer um mapa de interesses? Divisão dos saberes. Problema da especialização.


2)

b) Como saber?

b) Onde saber?

c) Com quem saber?


3) Projeto e antevisão dos resultados. Horizonte do conhecimento e das capacidades.


4) Realização imaginativa X Realização


5) Como desenvolver a disciplina.

- Centralização do interesse teórico.

a) Cultivar atitudes corretas em relação ao interesse teórico

b) Ambiente de estudo. Ambiente escolar e familiar.

c) A importância do hábito. Psicologia do inconsciente.


6) O estado da questão. Valor do conhecimento histórico. Tradição X indivíduo.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Autopsicografia


Há muito já se disse do poeta
Que as próprias dores vive de fingir. 
Com tal engenho finge, que completa
A falsa dor com àquela do existir.

Com certo garbo inventa o fingidor
Já que, poeta, não lhe basta à arte
Mentir a dor, de qualquer modo, em dor
Se não expande a voz, se não lhe arde.

Finjamos tudo, e, pois, restemos mudos. 
Não mais de versos por cantar aguarde. 
Nosso silêncio irônico, contudo,
Que finja mesmo até sinceridade.

E quando o verbo se cortar, abrupto,
Habite o coração nossa verdade.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

KANT: TRABALHO SOBRE A CRÍTICA DA RAZAO PRATICA


REGRAS:


1 - Escrever um texto corrido, dissertativo-argumentativo (em torno de 3-4 pgs.) com a seguinte divisao:


A) Introduçao (em torno de meia pg.) contendo a exposiçao do tema e objetivos


B) Desenvolvimento  (em torno de 2-3 pgs.) contendo a exposiçao dos argumentos e o encadeamento das razoes.


C) Conclusao (em torno de meia a uma pg.) contendo a sumarizaçao do resultado e as conclusoes do argumento.



GRUPOS:

Cinco integrantes



TEMAS:


1 - Quais as semelhanças e diferenças entre juizos teoricos e juizos praticos? Por que? Como surgem? Como se os definem?


2 - Descreva o percurso argumentativo de Kant para provar que a Lei Fundamental da etica eh puramente formal


3 - Faça uma critica aos teoremas I, II e III


4 - Forneça cinco exemplos de maximas, imperativos hipoteticos e de categoricos. Critique o formalismo da critica kantiana fundamentadamente.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Quando na Hora a Eternidade pousa


Quando na Hora a Eternidade pousa
E tudo cala o cântico das cousas

As murmurantes seduções da alma
Jazem, desnudas, ninfas numa jaula.

Do lodo nasce a flor: tremula ao vento
A pétala perdida do momento.

Encontra o azul do céu o firmamento
- Um novo Adão inspira um novo alento.



Quando na Hora a Eternidade pousa
E tudo cala o cântico das cousas

Diluem-se as formas, flébeis, pungentes
Na água dos rios que corre às nascentes

Revolvem os seres, dardejam asas
Que os levam a morrer rumo a alvorada.

E Eu, que faço? Faço-me do Agora
O buscador, cruzando a última porta

Quando a Eternidade pousa.
Na Hora.








sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

A arte da memória

Dedicado a Dídimo Matos


1.


Meu amigo Dídimo Matos, começo esse curto ensaio endereçando minha fala a você. Não vou deixá-lo de fora dele, já que me pediu tantas vezes que o escrevesse. Sei que muito aprecia a escrita acadêmica, difícil, referendada. Por isso, peço a sua licença para vaguear, rapsodicamente, pela minha própria memória. Falarei da função que ela possui para mim sem pretensões. Quero apenas lembrar... escoar e concentrar a percepção em mim mesmo, nesta fonte de todas as perplexidades - o nosso Eu. Sento-me à frente do computador, sem adornos senão minha capacidade de rememorar fatos e coisas. O mundo dos fatos e das coisas é o meu mundo interno; nele há uma réstia de luz incidindo sobre certas imagens como, por exemplo, a de uma casa. Iluminemos melhor.


2.


Moro em uma casa antiga. Terminada ainda antes do regime pelo esforço conjunto de meu avô, mãe e tios, a morada do capitão Astério possui toda uma história particular. Viu nascerem filhos, viu definharem velhos. Ela viu um ladrãozinho de galinhas tentar roubá-la só para mostrar sua inaptidão. A casa o venceu, o humilhou, ela que, impávida, já era mais antiga do que o ladrão quando ele a tentou violar. 

Lembra-me, esta casa, uma frase de Machado. Carpeaux cita a passagem em um de seus livros. Passando diante de uma casa velha, perguntam a alguma sua personagem se a casa era bonita. O interpelado replica, dizendo "mas ela é velha!". Se é velha, é bonita, não há lugar para dúvidas. Assim também sinto. Vislumbro a beleza insuperável daqueles solares verdadeiramente antigos, de um século, dois séculos, ou das casas-grandes dos engenhos do Nordeste. Em uma delas, o menino Zé Lins foi criado. Cheio de lembranças de sua mocidade, Zé Lins viria depois a se tornar o respeitável José Lins do Rego, autor de uns quantos romances na literatura brasileira. Em Meus Verdes Anos, conta-nos ele como era a vida da gente no tempo do engenho. Como parecia boa a vida daquele tempo! E o homem citadino como eu, de raízes menos fundas, sente a nostalgia de tempo que não viveu, época de cores mais vivas, de sangue revolto, de costumes mais brutos, porém mais sinceros. Uma coisa me atenua a irremediável saudade não vivida: essa casa aqui, onde moro, de cuja janela estou agora a olhar o pé de mangueira que temos no quintal.

Estranhará quem me lê essa fixação por casas. O que preside a escolha de uma casa para começar um texto sobre memória? Não as décadas acumuladas nas portas. Talvez não me creiam, mas escrevo sem planos, sem regras. Sequer estou preocupado com a correção da gramática. Vou escrevendo como quem vai caminhando despreocupado, arrasta os pés pela rua, topa com algum pedregulho. Não me importo. A primeira coisa que me veio a mente foi, honestamente, a casa. E então percebi por quê. Ela se liga mais diretamente à memória, não apenas pelo poder evocativo imantado em si mesma. Ela se liga a memória porque se liga a uma técnica.


3.


A técnica a que me refiro é o Palácio da Memória. Tomar contato com essa técnica foi o primeiro momento em que a memória se tornou, para mim, objeto de atenção cuidadosa. Encontrei a menção em um romance popular, Hannibal, o livro de Thomas Harris. Li-o na adolescência com muito gosto. Acho que todo mundo há de reconhecer o quão bem construído é o personagem do Dr. Hannibal Lecter. Vem-me à fantasia sua figura de contornos nítidos maculada, é verdade, por uma interferência externa: a cara de Anthony Hopkins, cuja atuação impressionante em The Silence of the Lambs lhe valeu os maiores louvores.

Então, imagino o meu Lecter com a cara do Hopkins (nada surpreendente, milhões o vêem assim). Nos livros, Lecter não é apenas o psicopata frio que aterroriza as pessoas. Ele é um homem refinado, culto, interessante. Thomas Harris apresenta a técnica mnemônica de Lecter: o palácio da memória. A técnica, corrijo, não é dele, claro. É uma técnica antiga, cujas raízes remontam a Grécia e a Roma, a Simônides de Ceos, aos retores. Fora também desenvolvida por padres da Igreja a fim de preservar o conhecimento da Antiguidade. Dizem que grandes eruditos bizantinos como Bessarion, escapando das hostes turco-otomanas, levaram consigo bibliotecas inteiras em suas mentes. Não sei se carregam nas tintas em tal descrição, mas gosto de pensar que ela é verdadeira. O poder da memória perfeita, da lembrança inescapável, me fascina. Ocorre-me a seguinte idéia: alguém que lembrasse de tudo seria, em vida, imortal. Não é a mortalidade sentida como um perder-se no tempo? Quase como se morrêssemos porque já estamos sempre morrendo. Alguém cujo tempo interior assemelha-se a um lago autocontido, onde nada passou, nunca passou. Morrer para este homem será um fato tão incompreensivo e inesperado quanto o fenecer de uma orquídea ou a morte súbita de um mosquito espalmado.

Todavia, embora Lecter apresentasse a mesma espantosa capacidade dos medievais, utilizava-a de maneira mais inventiva: para viver. Literalmente, a casa da memória do Dr. era uma casa alicerçada na imaginação: nela ele se abrigava, andava, dormia. A sua fuga era, a princípio, dos outros. Não por medo, afinal, o sociopata pura cujo perfil Harris engravou era imune ao medo. Ele fugia dos outros por enfado, desprezo. Quando estava na cela, ouvindo o grito dos outros condenados, Lecter demonstrava seu espantoso poder. Concentrava-se e o mundo externo desaparecia. Lecter podia passar pelas amplas galerias de seu palácio da memória, onde havia sempre música, quadros, a beleza. Com isso, ele podia melhor suportar o ambiente vil em que se achava. E nisso tinha minha entusiástica aprovação.


4.


A memória também me serviria de escape. Essa é a primeira função. Foi desta leitura de Harris que tive a idéia de cultivá-la. Nunca construí um palácio com as suas rochas. A técnica é difícil, exige o domínio de um complexo sistema associativo de objetos e conteúdos representacionais. Mas, uma vez que sempre tive facilidade em me lembrar de toda sorte de informações, cultivá-la como disciplina consciente não me foi proibitivo. Ao lembrar-me das coisas, as possuo. Ao possuí-las, lembro-me delas. É uma relação recíproca entre lembrança e domínio. Uma relação quase erótica. Mas, a razão específica que me levara primeiramente a cultivá-la não foi erótica, ao contrário, diria que foi regida pelo sentimento da discórdia; Neikós, já ensinava Empédocles, responsável pela repulsão de todas as coisas. Ao pensar em viver de memória orientava-me, inequivocamente, a vontade de me afastar. Assim se demarcava a discórdia existencial com um ambiente que me parecera demasiado limitado. Trazia bem vívido o aforismo de Schopenhauer, segundo o qual a inteligência era inversamente proporcional a capacidade de fazer barulho. Já ouvia ruídos demais. Na memória estava o silêncio, o encontro consigo mesmo, a serenidade. Na memória eu podia pensar no que me apetecia, lembrar-me do mundo histórico, do mundo da arte, das idéias.

Notei, de muito exercitar a memória, que um dos mais impressionantes poderes dessa faculdade revela-se na sua tendência à unidade. Não há surpresa em asserir esse juízo. Ocorre que a percepção não é um julgamento. Podemos facilmente reconhecer a verdade do juízo sem o sentirmos no centro da consciência. Ao se lembrar por horas a fios todos os dias, genuína disciplina ascética da reminiscência, entram em jogo categorias mais nobres: intuição e percepção. A disciplina faz brotar a intuição que dá lugar a afirmação da unidade da memória (que, neste caso, encontra correspondência dialética na unidade da consciência); então, ela se torna experenciável. À semelhança da meditação, a qualidade fenomênica capturada pode atrair de tal modo as forças do espírito que os estados interiores se tornam translúcidos. Essa foi a segunda função da memória que eu descobri para meu uso.

Há de se levar em conta o fato: lembranças puxam outras espontaneamente. Podemos tentar comandá-las, focar a atenção em algum conteúdo representacional. Neste esforço, malogramos muitas vezes. E a raiz do malogro parece-me dada em certa espontaneidade fenomenológica do processo associativo. Há o indomável no lembrar, parente do tigre do insconsciente de que falava Nietzsche. O que nos aparece é consciente, mas não todas as operações as quais, ocasionalmente, furtam-se ao nosso olhar perscrutador. As ligações entre um conteúdo evocado e um outro, entrelaçadas em ramagens retorcidas no terreno do inconsciente, não são pontes sempre seguras. Existem ligações desconhecidas. E também "ligações perigosas", que unem conteúdos a outros, profundos, sepultados em regiões abismais. Os gatilhos que abrem nossa autopercepção a conteúdos inferiores dormitam sob a capa da consciência, conteúdos ancestrais, velhíssimos, poderosos no mover a mente dos homens desde a aurora dos tempos. A memória é, pois, descida aos infernos. Assim como também ascensão aos céus. Eis a terceira função, propriamente hermética, no sentido etimológico.

Os poetas clamavam as Musas a fim de que lhes inspirasse o "entusiasmo". A inspiração mnemônica do aedo, como o demonstra Jean-Pierre Vernant, é um tipo de 'visão', quase uma sorte de clarividência. Ele 'vê' o passado desvelando o ser. Este passado não é apenas um tempo ocorrido há muitos séculos, ele é um tipo de modo de ser como na figuração da era dos heróis. Mas, não é assim com o nosso próprio passado individual, subjetivo? Eu comecei este ensaio rapsódico falando de minha casa, então as recordações se foram organizando, plasmadas pelo intuito de escrevê-lo. Há no passado subjetivo também momentos de deuses e heróis, qualitativamente condicionados, à semelhança do passado das grandes coletividades das quais o poeta se faz porta-voz. A última função da memória que eu sublinho é essa, mais costumeira: recuperar a qualidade da experiência. Ir e voltar por esse caminho - incessante aprendizado. Como foi o verdadeiro sentimento? De onde realmente vieram nossas idéias? Fundamental é a sinceridade em todo o percurso. "Conhece-te a ti mesmo". Não há cumprimento da sabedoria délfica sem conhecer o que fomos e porque nos tormanos o que somos.


5.


Abro de novo a janela. Lembro-me de nova passagem na literatura, dessa vez, biográfica. As últimas palavras de Goethe ordenavam que se abrisse uma janela igual a que tenho ao lado. "Mehr Licht! Mais Luz!". Não sei se havia árvores à vista do gênio. Aqui, as folhas da mangueira douram ao sol da tarde. A árvore, velha como a casa, também é um símbolo. Outras lembranças serão por ela evocadas, outras passarão, até o fim.



quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Fórmulas esquemáticas para um roteiro de leitura: Teoria Tradicional e Teoria Crítica (pgs.124-133/151-159)

1.


[pgs.124-125] Teoria tradicional: sistema de proposições; consonância entre fatos e proposições deduzidas; tendência à simplicidade e abstração (Discurso sobre o Método, Descartes; Aforismos, Bacon)

[pgs.127-128] Emulação pelas ciências da sociedade das ciências naturais (Positivismo; empirismo; traços do método positivista; física social. A distinção entre fenomenólogos e empiristas não elide o problema)

[pgs. 128-129] Teoria da possibilidade objetiva, Weber. A forma lógica dos juízos hipotéticos como forma lógica do juízo científico. Lógica proposicional e regras de inferência.

[pgs. 129-30] Reificação da teoria. Estabilização a-histórica das categorias lógicas da teoria tradicional. Descoberta e aplicação do conhecimento não são puramente lógicos. Transcendência histórico-social da teoria. Paradigma histórico-social das Revoluções científicas.

[pg. 131] Abstração do funcionamento real da ciência do contexto histórico-social. Ciência como momento da produção.

[pgs. 132-133]Relação entre fato e ordem conceitual. Problematização interna à ciência vs. Problematização histórica. Caráter histórico do objeto percebido e caráter histórico do órgão perceptivo (Exs.: Medievo/Modernidade)


2.


[pgs. 151-152] Semelhanças entre teoria tradicional e teoria crítica. Dedutividade; abstração. Relação de troca como motor da sociedade atual. Abertura total para o conhecimento histórico.

[pgs.153-155] Crítica a dualidade sujeito-objeto. Autoconsciência histórica (Ex.: Napoleão). Necessidade exterior e necessidade interior. Papel da classe intelectual.

[pgs.156-157] A Teoria crítica evolui com a historicidade. O núcleo da teoria é a representação do núcleo do modo de produção vigente.

[pgs.157-159] Exemplo do liberalismo clássico para o liberalismo monopolista. Diluição da cultura; indústria cultural, cultura de massas. Determinação direta do econômico sobre a cultura.


* Esse roteiro de estudo será realizados nas aulas das turmas 2841,9841 e 1842 do IFBA.


segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Fontes para o estudo de Kant

Repositório de algumas fontes sobre o estudo de Kant e do kantismo. *


1.


Epistemologia kantiana (III Unidade-a)


Ler Introdução. (v. Logik Conceitos e Juízos.)


2.


Ética kantiana (III Unidade-b)


Digitalizarei uma tradução melhor em pdf brevemente.


3.


Leituras complementares gerais:

LEBRUN, Gerard. Sobre Kant (v. especialmente 'Hume e a Astúcia de Kant e 'A Razão Prática na Crítica do Juízo)

HOFFE, Otfried. O que posso saber? A Crítica da Razão Pura





* Esté tópico se destina aos alunos das turmas 8831, 8833 e 5832, IFBA. As referências serão ampliadas ao longo da unidade.