sexta-feira, 5 de agosto de 2016

SONETO I DA JOVEM REALISTA

Quando te penso a imagem como em sonho
me és tão doce o amor e tão sincero
que murmurando a mim mesma confesso
o que, em vigília, na ironia escondo.

Na hora à face enternecidamente
Desce-me o pranto de quem muito ama
Quando rebrilha e arde a minha chama
a desejar tocar-te, inconsequente.

Porém se minhas pálpebras descerro
Ao teu olhar inquisitivo ou frio
Do sonho acordo, irônica decerto,

Com mil palavras a cobrir-me nua.
Pois não te quero contar inda mais isto:
Que tua rosa sou, somente tua.