segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Cruzaram-me o horizonte tantas aves
de flébeis penas, altas, envergadas,
soberbas, maviosas ou dolentes
em corte esplendorosa enfileiradas

Ao vê-las, intrigado, me quedei
o contemplar de tanta adoração
Eram as aves rostos sem mais forma
Eram as formas aves-coração?

O incongruente se tornou velado
um não-querer, um recusar-me, esfinge,
hierofania sem rito ofertado
face de barro que a vida cinge.

As aves muitas, incompreensivas
se foram juntas, vastidão sem fim
E eu me quedei inda mais intrigado
Eu, que voei também por entre mim.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Sonhos

  1. INOCÊNCIA

  2. Há sonhos de terror e há outras taras
    detrás do véu diáfano do logos:
    leões rugem a íris dos meus olhos,...
    que dilaceram a carne violada.

    O olhar lambe a pele arroxeada
    de tal escrava, morta, a transformando
    Na tulipa púrpura de um manto
    a guardar-me a nudez já recusada.
    Mas o coração não me pesa, é flama
    sagrada na enorme delinquência,
    pois só de o tê-la cinjo a inocência
    suavemente só, como quem ama.