Quando na Hora a Eternidade pousa
E tudo cala o cântico das cousas
As murmurantes seduções da alma
Jazem, desnudas, ninfas numa jaula.
Do lodo nasce a flor: tremula ao vento
A pétala perdida do momento.
Encontra o azul do céu o firmamento
- Um novo Adão inspira um novo alento.
Quando na Hora a Eternidade pousa
E tudo cala o cântico das cousas
Diluem-se as formas, flébeis, pungentes
Na água dos rios que corre às nascentes
Revolvem os seres, dardejam asas
Que os levam a morrer rumo a alvorada.
E Eu, que faço? Faço-me do Agora
O buscador, cruzando a última porta
Quando a Eternidade pousa.
Na Hora.