MOMENTO nº1
Ondas escuras avolumaram-se
na orla de uma praia branca e deserta.
Eram verdes, verdes os olhos vivos
da moça estirada na areia contemplando
as ondas todas, solitária e também ela
deserta.
Aves redutíveis à imaginação
cruzaram. Celestes setas
perfurando o azul de éter
quinta-feira, 12 de abril de 2018
quarta-feira, 11 de abril de 2018
Minuciosa ou vária,
a mão te invade e toma,
como o dorsal das águas
ao argonauta doma,
a tua pele-pétala,
na palma feita aroma;
tem das manhãs felizes
a redenção das sombras,
é como a aleluia
após longo calvário,
ou a dança da luz
desposta num sacrário;
A tua pele-pétala
nas reentrâncias lunares
provoca-me astuciosa
delineando esgares
no rosto delicado
quando, cresces e míngua,
lua-corpo extasiado
às carícias da língua
a mão te invade e toma,
como o dorsal das águas
ao argonauta doma,
a tua pele-pétala,
na palma feita aroma;
tem das manhãs felizes
a redenção das sombras,
é como a aleluia
após longo calvário,
ou a dança da luz
desposta num sacrário;
A tua pele-pétala
nas reentrâncias lunares
provoca-me astuciosa
delineando esgares
no rosto delicado
quando, cresces e míngua,
lua-corpo extasiado
às carícias da língua
segunda-feira, 2 de abril de 2018
NOITES
Ó fugidias sensações noturnas,
siderações, nostálgicas dolências
do imenso mar constelado, da espuma
a que apelidamos consciência,
Ó antecipamentos vãos... ó claros
relampejares das fontes diuturnas
por que me têm, à noite, acossado,
por que me espreitam, quais feras ocultas?
Na hora morta em sono combalido
quando o querer, mais suave do que a seda,
é o elastério d´alma esmorecido,
eis que me vêm as sensações noturnas:
panteras radiosamente atraindo
com a elegância das formas escuras.
siderações, nostálgicas dolências
do imenso mar constelado, da espuma
a que apelidamos consciência,
Ó antecipamentos vãos... ó claros
relampejares das fontes diuturnas
por que me têm, à noite, acossado,
por que me espreitam, quais feras ocultas?
Na hora morta em sono combalido
quando o querer, mais suave do que a seda,
é o elastério d´alma esmorecido,
eis que me vêm as sensações noturnas:
panteras radiosamente atraindo
com a elegância das formas escuras.
domingo, 1 de abril de 2018
JARDIM SUSPENSO
Havia um jardim suspenso,
mais antigo que o Céu.
Nele, os anjos floresciam
como flores gordas de mel.
As rosas rubras silvestres
despetalavam auroras.
Novos dias eram abelhas
polinizando as horas,
rio adentro escorrendo,
águas-vilas sinuosas,
com peixes nadando o tempo,
com portas dentro de portas.
Animais de geometria
impossível à humana vista
farfalhavam tenras asas,
novo mundo aparecia.
De mil Eras era o centro,
o maravilhoso festim.
No Absoluto, suspenso
Havia um Jardim.
.
mais antigo que o Céu.
Nele, os anjos floresciam
como flores gordas de mel.
As rosas rubras silvestres
despetalavam auroras.
Novos dias eram abelhas
polinizando as horas,
rio adentro escorrendo,
águas-vilas sinuosas,
com peixes nadando o tempo,
com portas dentro de portas.
Animais de geometria
impossível à humana vista
farfalhavam tenras asas,
novo mundo aparecia.
De mil Eras era o centro,
o maravilhoso festim.
No Absoluto, suspenso
Havia um Jardim.
.
sexta-feira, 30 de março de 2018
O ÉTER
E vi na destra do que estava assentado sobre o trono um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos. (Apocalipse 5;1)
Pelos marecháis da guerra
Pela Bomba de Hiroshima
Pelos gemidos da terra
Calcinada e canina
Rasgada e deserta:
O Sanctum!
Pelos músculos trincados
Pelas órbitas vazadas
Pelos corpos destroçados
Pelas mandíbulas gastas
De Moloch ensanguentado:
O Sanctum!
Pelos vales apagados
Pela flor contagiosa
Pelo homem exumado
Como o sangue na aorta,
Subitamente estancado:
O Sanctum!
Pelas tísicas crianças
Arrancando os próprios braços
Pelos olhares de âmbar
Pelos berros engolfados
Engolidos nas gargantas:
O Sanctum!
Pelas vespas atômicas
Pelo lixo radioativo.
Pelas cartas anônimas
Nas garrafas de irídio
Pelos mares de Ômega.
O Sanctum!
Sol. Lua. Dia. Noite.Vida. Morte. Um.
Três Círculos.
Três Chaves.
Três Luzes.
O Sanctum!
Pelos marecháis da guerra
Pela Bomba de Hiroshima
Pelos gemidos da terra
Calcinada e canina
Rasgada e deserta:
O Sanctum!
Pelos músculos trincados
Pelas órbitas vazadas
Pelos corpos destroçados
Pelas mandíbulas gastas
De Moloch ensanguentado:
O Sanctum!
Pelos vales apagados
Pela flor contagiosa
Pelo homem exumado
Como o sangue na aorta,
Subitamente estancado:
O Sanctum!
Pelas tísicas crianças
Arrancando os próprios braços
Pelos olhares de âmbar
Pelos berros engolfados
Engolidos nas gargantas:
O Sanctum!
Pelas vespas atômicas
Pelo lixo radioativo.
Pelas cartas anônimas
Nas garrafas de irídio
Pelos mares de Ômega.
O Sanctum!
Sol. Lua. Dia. Noite.Vida. Morte. Um.
Três Círculos.
Três Chaves.
Três Luzes.
O Sanctum!
quinta-feira, 29 de março de 2018
POEMA PARA O HERÓI MORTO
Quando toldarem os olhos dos antigos
e a rouca voz do vate emudecer,
quando soprar o vento dos elísios
há de morrer o herói, há de morrer.
Há de partir por muitos celebrado:
entre as mulheres deixará seus filhos,
em cada porto deste mundo vasto
onde ouvirão, nas tardes, uns suspiros.
As potestades em galante coorte
ante o ataúde negro deporão
as tristes lágrimas, mais sóbrias flores
pelo altaneiro e jubiloso irmão.
A ele, os bons levantarão estátuas;
e os copos cheios e as canções de guerra
serão erguidos qual se fossem armas,
as homenagens últimas da terra.
Pelo aristoi de honra tão sublime
Até os deuses entrarão de luto
De cujos feitos imitou insigne
o que era grande, o que era belo - e puro.
Cosendo a teia de ecos e memórias,
o seu destino os velhos passarão
à mancebia ávida de glórias,
que o imarcescível nome evocarão.
Pois se toldarem os olhos dos antigos
e a rouca voz do vate emudecer
quando soprar o vento dos elísios
há de viver o herói quando morrer.
e a rouca voz do vate emudecer,
quando soprar o vento dos elísios
há de morrer o herói, há de morrer.
Há de partir por muitos celebrado:
entre as mulheres deixará seus filhos,
em cada porto deste mundo vasto
onde ouvirão, nas tardes, uns suspiros.
As potestades em galante coorte
ante o ataúde negro deporão
as tristes lágrimas, mais sóbrias flores
pelo altaneiro e jubiloso irmão.
A ele, os bons levantarão estátuas;
e os copos cheios e as canções de guerra
serão erguidos qual se fossem armas,
as homenagens últimas da terra.
Pelo aristoi de honra tão sublime
Até os deuses entrarão de luto
De cujos feitos imitou insigne
o que era grande, o que era belo - e puro.
Cosendo a teia de ecos e memórias,
o seu destino os velhos passarão
à mancebia ávida de glórias,
que o imarcescível nome evocarão.
Pois se toldarem os olhos dos antigos
e a rouca voz do vate emudecer
quando soprar o vento dos elísios
há de viver o herói quando morrer.
sábado, 24 de março de 2018
SOL MÍSTICO
O sol veio. Rasgou-se o véu antigo
do tédio que, há muito, companheiro
se fizera de noites e de luas,
no rude embotamento do desejo.
O sol veio. E alto, o alado disco
luziu o grego solo e o vale etrusco.
Fez dos trigais mais louros e mais cheios.
Ao viajante o mar tornou seguro.
O sol veio. Mas, quase diminuto
veio alegremente pressentido.
Guardado e inocente, era o presente
(terna) e eternamente amanhecido.
O sol veio.
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