Quando toldarem os olhos dos antigos
e a rouca voz do vate emudecer,
quando soprar o vento dos elísios
há de morrer o herói, há de morrer.
Há de partir por muitos celebrado:
entre as mulheres deixará seus filhos,
em cada porto deste mundo vasto
onde ouvirão, nas tardes, uns suspiros.
As potestades em galante coorte
ante o ataúde negro deporão
as tristes lágrimas, mais sóbrias flores
pelo altaneiro e jubiloso irmão.
A ele, os bons levantarão estátuas;
e os copos cheios e as canções de guerra
serão erguidos qual se fossem armas,
as homenagens últimas da terra.
Pelo aristoi de honra tão sublime
Até os deuses entrarão de luto
De cujos feitos imitou insigne
o que era grande, o que era belo - e puro.
Cosendo a teia de ecos e memórias,
o seu destino os velhos passarão
à mancebia ávida de glórias,
que o imarcescível nome evocarão.
Pois se toldarem os olhos dos antigos
e a rouca voz do vate emudecer
quando soprar o vento dos elísios
há de viver o herói quando morrer.